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domingo, 14 de abril de 2013

Ipaty: o curumim da selva


Ipaty: o curumim da selva

Livro de Ely Macuxi, descendente do povo indígena Macuxi, que imediatamente faz lembrar a controvérsia em torno da demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, no Estado de Roraima, que durante anos consumiu muitas vidas, mobilizando sempre a atenção e a reflexão renovada de muitos brasileiros e estrangeiros. Na área demarcada – formada por imensas planícies aparentadas ao cerrado e cadeias de montanhas, na fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana – vivem cerca de vinte mil indígenas, sobretudo da etnia Macuxi. Além dos Wapixana, Ingarikó, Taurepang, entre outros.


O livro narra as aventuras do curumim, cujo nome dá título ao livro, contadas pelo próprio menino. Entrelaçadas nas aventuras estão as lendas, os mitos, as tradições, os costumes e o cotidiano dos Macuxi, indígenas que habitam as serras do estado de Roraima, próximo à fronteira do Brasil e Venezuela.



Livro infantil: Escola de Chuva




O amor de uma professora e de seus alunos pela escola, 
uma história que nem as chuvas de verão levam embora...
• Escola de chuva é do mesmo autor de Chuva de manga e O presente de aniversário do marajá. 
• Agraciado pelo Prêmio norte-americano Oppenheim Toy Portfolio com o selo de ouro de melhor livro de 2010.
• Uma emocionante história sobre o amor pelo aprendizado, o 
desejo de estudar e sobre a maior herança que um adulto pode 
deixar para uma criança: o conhecimento. 
É o primeiro dia de aula em Kelo, no Chade, na África. As crianças 
caminham pela estrada. “Vou ganhar um caderno?”, pergunta 
Tomás. “Vou ganhar um lápis? Vou aprender a ler como vocês?”.
Mas quando ele e as outras crianças chegam à escola, não há sala 
de aula nem carteiras. Apenas uma professora. “A primeira lição é 
construir a nossa escola”, diz ela.
Esta bela história permite explorar temas como aprendizado,
perseverança, escola, primeiro dia de aula, conto africano,
estações do ano, reutilização de materiais.
O americano James Rumford é autor dos livros Chuva de 
manga e O presente de aniversário do marajá, publicados pela 
Brinque-Book.


quarta-feira, 10 de abril de 2013

Livro infantil: Ceci e o vestido do Max




Não é nada fácil namorar a Ceci! O pobre do Max que o diga, já passou por cada uma! Depois de descobrir que Ceci não fazia parte do grupo dos com-pipi, e sim do grupo das com-perereca, ele teve de esperá-la por muito e muito tempo, muitas e muitas vezes para ganhar um beijinho; a ajudou com aquela ideia maluca de fazer um filho de um dia para o outro; e agora, neste livro, vai ser obrigado a experimentar um vestido todo cor-de-rosa. Isso porque, depois de ver essa peça de roupa no supermercado, Max insistiu muito que Ceci a provasse - o vestido iria ficar lindo nela! -, mas a menina não queria de jeito nenhum e, claro, acabou dando um jeito de incluir Max na história...
Um livro que aborda as diferenças e semelhanças entre meninos e meninas de forma sensível e inteligente, com ilustrações que acompanham o tom bem-humorado do texto.

Quer ler um trecho do livro?
Clique aqui.

Abaixo, mais alguns trechos (o livro tem 32 páginas).



Sobre o autor Thierry Lenain:
Em sua terra natal, ela tem o nome de um ícone do feminismo na literatura: Zazie, claramente inspirado na icônica (e boca-suja) personagem de Raymond Queneau. Entre nós, ganhou o nome brejeiro de Ceci, mas nem por isso abandonou o perfil contestador. A heroína criada pelo francês Thierry Lenain, autor de dezenas de livros para crianças, tem mais uma "aventura" lançada no Brasil: "Ceci e o Vestido do Max" [trad. Marcela Vieira, Companhia das Letrinhas, 32 págs., R$ 28,50].
No mundo da literatura infantil, especialmente vulnerável ao moralismo e ao doutrinamento, Lenain emplacou uma série de best-sellers sobre tabus sexuais em uma linguagem direta que chocaria aquele tipo de sensibilidade que adora denunciar "imoralidades" em livros para crianças.
Depois de ter demonstrado, em "Ceci Tem Pipi", o primeiro livro da série, que uma garota não deve nada aos "com-pipi" e pode muito bem desenhar mamutes, subir em árvores etc., agora ela se dá conta de que o vestido que ganhou de presente fica muito melhor no namorado do que nela mesma.

sábado, 26 de maio de 2012

Sugestão de leitura

Texto de Janaína Maudonnet

"Olá a todas e todos!

Devido a reportagem sobre a aplicação das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil na prática que saiu na Revista da Editora Segmento (postagem anterior), elaborei um texto sobre o tema. Segue abaixo para discutirmos.

Abraço!

As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil apontam para uma visão de criança como “centro do planejamento Curricular”, como um sujeito de direitos que é portador de teorias, saberes; que pensa sobre o mundo e atribui sentido à ele a partir do que lhe é oferecido; uma criança que não passa incólume às propostas que vivencia desde sua chegada até a saída da instituição.

Nesse sentido, define currículo como “um conjunto de práticas que buscam articular os saberes e experiências das crianças com o patrimônio cultural, artístico, ambiental, cientifico e tecnológico, de modo a promover o desenvolvimento integral da criança”. Ou seja, currículo não é aquele que se define a priori, mas aquele que é vivenciado com as crianças a partir de seus saberes, manifestações, articulado com aquilo que consideramos importante que elas conhecem do patrimônio da humanidade.

Embora, a aceitação dessas concepções de criança e currículo não seja, a primeira vista, um grande problema em um nível discursivo entre a maioria dos profissionais da educação, para de fato incorporá-las nas práticas, ainda há um longo caminho.

O foco das propostas oferecidas às crianças ainda está, na maioria dos casos, na atividade a ser desenvolvida por ela, seja essa atividade uma contação de histórias, um registro no papel, uma dança, uma música a ser cantada, ou ainda, a troca de roupas e a escovação de dentes. As relações estabelecidas, os conhecimentos que as crianças tem sobre o que vai ser vivido, as indagações que tem sobre o mundo, muitas vezes não são ouvidas ou são desconsideradas na organização das propostas.

Para praticar o que dizem as DCNS, precisamos apurar o nosso olhar em relação as crianças que temos: o que sabem, o que gostam, como pensam o mundo, como se manifestam, o que conhecem, como conhecem. São perguntas que todos os educadores devem se fazer sempre para buscar a melhor pedagogia para as crianças com as quais convivem. Para isso, precisam desenvolver uma metodologia de coleta de informações que passa pela observação atenta, pela pesquisa (“professor pesquisador”). Por exemplo, em relação ao brincar: do que as crianças brincam? Quais são suas brincadeiras preferidas? Qual seu repertório de brincadeiras? De que modo podemos ampliá-lo? Que materiais podemos oferecer às crianças para ampliar suas possibilidades de brincar? O educador precisa ser um constante pesquisador.Em um texto belíssimo, intitulado, “Planejamento no educação infantil: mais do que a atividade, a criança em foco”, Luciana Esmeralda Ostetto destaca diferentes maneiras de planejar na educação infantil que fizeram parte da história da Educação Infantil e da formação de professores e, que ainda convivem na prática (por exemplo, planejamento através de uma simples listagem de atividades, de datas comemorativas, de disciplinas – matemática, português,etc.) e ressalta que o grande desafio que temos hoje é justamente, planejar olhando as crianças concretas que temos.

A referência da escola, transmissora de saberes, ainda é muito forte em nosso imaginário. Essa foi nossa experiência como alunos, considerados como aqueles que não tem luz, que não tem o que dizer (infans – sem voz). Nos próprios cursos de formação, muitas vezes os professores também são submetidos a isso: palestras distantes, que nem sempre permitem que eles coloquem em jogo aquilo que sabem, fazem e acreditam.

A preocupação com a quantidade e o produto final do trabalho é também um grande desafio das instituições de educação infantil. Estas estão submetidas aos mesmos mecanismos de exigência social do capitalismo. Muitas vezes, quanto mais “folhas de atividades” são produzidas pelas crianças, mais eficiente é considerada a proposta. Essa é uma exigência de muitas famílias, que não percebem essa dimensão, e que acaba sendo consolidada por muitas escolas.

Para se trabalhar na perspectiva das diretrizes, é preciso pensar no processo. As crianças precisam ter tempo para viver as coisas profundamente, ter oportunidade de sentir as experiências, poder ouvir uma boa história, sem pressa porque vai abrir o portão; aprender a se servir e se trocar, testando suas habilidades, sentindo suas dificuldades, com calma. Enfatizar o processo é importante porque dá tempo para a criança se perceber e perceber o mundo com mais tranqüilidade e portanto mais profundamente.

Tempo é outro fator que tem que ser continuamente repensado na instituição. Há um grande mito que resvala em boa parte das instituições: “todo mundo faz a mesma coisa ao mesmo tempo o tempo todo”. O tempo da instituição ainda é muito homogêneo e arbitrário. Ainda se exige muito do educador um controle excessivo das crianças que precisam sempre fazer alguma coisa juntas e em um determinado horário fixo, rígido. A organização de cantos nas salas, por exemplo, hoje tão debatida na área, ajuda o educador a se concentrar em pequenos grupos, em uma criança, possibilitando que ele possa conhecê-las melhor.

Nesse sentido, é preciso discutir também a relação com o espaço. Um espaço pobre de desafios, cheio de mesas e carteiras, como poucos materiais disponíveis dificulta que a criança possa ampliar seu conhecimento de mundo e crie hipóteses sobre como as coisas do mundo são. Por outro lado, o contato com a natureza e os espaços externos, permitem que as crianças, observem os fenômenos e se indaguem sobre eles: por que a formiga consegue subir em cima de uma árvore sem cair? Porque o vento sopra? São perguntas que as crianças se fazem quando damos tempo e espaço para que elas descubram. E nos fornecem caminhos muito mais interessantes para trabalharmos com elas.

Para colocar em práticas as DCNS é preciso repensar a instituição em seu todo: nos tempos, nos espaços e na relação que estabelecemos com o conhecimento, e principalmente, com as crianças. Para isso, o trabalho coletivo é fundamental. A instituição, seja pública ou particular, precisa como um todo, através de uma gestão democrática - que escuta todos os sujeitos (famílias, profissionais e crianças) - se comprometer com essa proposta.

A escuta e o diálogo são fatores essenciais para que as Diretrizes possam ser praticadas. Inclusive a escuta das famílias, com as quais (e as DCNS apontam tão claramente isso!), devemos compartilhar a educação e o cuidado das crianças pequenas. Essa escuta permite que conheçamos mais as crianças, que busquemos propostas que considerem melhor suas singularidades, os hábitos familiares, além de contribuir para a reflexão de uma outra cultura da infância na comunidade, que valorize as descobertas da infância, sem que esteja ligada a mera transmissão ou a quantidade de atividades produzidas pelas crianças, como apontei anteriormente."